CHEDV não deixa passar em branco o Dia da Grávida. Atividades destinadas a grávidas e casais decorrem esta tarde no Hospital S. Sebastião

CHEDV não deixa passar em branco o Dia da Grávida. Atividades destinadas a grávidas e casais decorrem esta tarde no Hospital S. Sebastião

Anabela Brêda e Teresa Paula Teles nos estúdios da Sintonia

Hoje, dia 9 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Grávida e o Dia Nacional da Natalidade. O Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga não deixa passar a data em branco e dinamiza esta tarde várias atividades destinadas a grávidas e a casais. Além da vertente formativa e de capacitação, a iniciativa pretende aproximar a comunidade do CHEDV, depois de um ano e meio de pandemia, e dar a conhecer projetos que o serviço pretende instituir a curto prazo, como a pernoita do pai ou a hospitalização domiciliária.

O programa do ‘Dia da Grávida’ arranca já às 14h00, com a receção das grávidas e acompanhantes, seguida da realização de barrigas de gesso a partir das 36 semanas. O leque de atividades contempla ainda um workshop de dança para grávidas com duração de 30 minutos, às 15h00, na “tenda refeitório”; um concurso para papás, que consiste em colocar a fralda e vestir um manequim de recém-nascido (RN), às 15h30; um pequeno lanche, às 16h; uma massagem para alívio das cólicas abdominais do RN, às 16h30; “Maternidade e Feng Shui”, às 17h00; e uma miniaula de yoga, às 17h30. A entrega de “miminhos aos participantes”, momento que encerra o evento, está agendado para as 18h00.

A iniciativa, explica a enfermeira chefe do serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Anabela Brêda, pretende “mostrar que a gravidez não é só vir à urgência e ter o bebé” e que há formações importantes que o CHEDV pode “oferecer à comunidade”. Salientando o trabalho “incansável” das enfermeiras nesta iniciativa, a diretora do serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Teresa Paula Teles destaca um “programa muito interessante” e que vai permitir uma maior interação entre a comunidade e os profissionais do CHEDV.

A iniciativa servirá ainda para dar a conhecer “mudanças que aos poucos vão acontecer no serviço“, explica Teresa Paula Teles, apontando que o CHEDV está a apostar em novos projetos. “Estamos a planear a muito curto prazo a pernoita do pai, ou seja, depois do parto o pai pelo menos ficaria na primeira noite a acompanhar a esposa, algo que sabemos que é realmente muito importante para elas nesta primeira fase“, avança. “Há um outro projeto de hospitalização domiciliária que vem na sequência da hospitalização domiciliária que já temos noutras especialidades dentro do hospital e que queríamos também alargar, sobretudo à obstetrícia para grávidas residentes nas proximidades do hospital, S. João da Madeira e Feira, essencialmente“, acrescenta. A par disso, o dia de hoje servirá ainda para falar sobre a abordagem no parto. “Cada vez mais se fala de um parto natural, cada vez mais as grávidas falam do plano de parto, do direito à opção, de realmente irmos em direção às expectativas que elas têm e também queríamos transmitir isso“, afirma a diretora do serviço.

Devido à pandemia, as inscrições são limitadas nesta primeira edição, mas Teresa Paula Teles espera, em 2022, poder alargar a iniciativa a mais grávidas e casais.

Dia Nacional da Natalidade: “Tínhamos 3000 partos no ano 2000 e hoje temos menos de metade”

Nos estúdios da Sintonia, a diretora do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do CHEDV, Teresa Paula Teles, abordou ainda o decréscimo da natalidade nos últimos anos. A obstetra diz que este é um problema transversal a todo o país e que também se verifica na região. “O problema da natalidade é um problema que nos assusta a todos, somos dos países mais envelhecidos da Europa. A natalidade continua a ser cada vez mais adiada, pelas próprias situações profissionais e socioeconómicas dos casais jovens e de ano para ano a diminuição de partos é assustadora. Nós tínhamos 3000 partos no ano de 2000 e hoje temos menos de metade. Passaram 20 anos e realmente esta realidade que se passa no concelho é transversal a quase todo o país“, refere. A pandemia, completa a enfermeira chefe, Anabela Brêda, veio acentuar o decréscimo da natalidade. “O Covid-19 assustou muitos casais, houve muitas gravidezes que foram adiadas, os projetos foram adiados. Penso que os problemas gravíssimos da nossa sociedade ao nível de desemprego e de salários baixos adia ainda mais a decisão de se ser mãe. Às vezes aquelas pessoas que tencionavam ter dois apenas têm um filho e as que pensavam ter um se calhar nem têm nenhum e vai-se adiando, e vai passando o tempo e depois é tarde”, reflete.

Pode ouvir a entrevista na íntegra aqui.