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Quarta-feira, Maio 13, 2026
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Afonso Eulálio faz história no Giro. É o terceiro português a vestir a camisola rosa

Ciclista esteve quatro épocas ao serviço do Feirense antes de dar o salto para o World Tour. Foto: SprintCycling
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O ciclista português Afonso Eulálio, da Bahrain Victorious, é o novo líder da Volta a Itália após a quinta etapa e tornou-se o terceiro português a vestir a camisola rosa, juntando-se a Acácio da Silva e João Almeida.

Numa etapa marcada por chuva intensa, granizo e várias quedas, o figueirense de 24 anos integrou a fuga do dia e terminou no 2.º lugar, apesar de também ter ido ao chão já na parte final. O resultado permitiu-lhe assumir a liderança da geral, com 2m51s de vantagem sobre o segundo classificado.

Antes de chegar ao World Tour, Eulálio passou pelo ciclismo nacional, onde representou durante quatro épocas (2020, 2021, 2023 e 2024) a Feirense-Beeceler, clube que deixou em 2024 para dar o salto para o pelotão internacional. Eulálio esteve ainda uma época ao serviço da GlassDrive Q8 Anicolor, em 2022, e antes disso vestiu as cores do Sport Ciclismo de S. João de Ver, em 2019.

O emblema de Santa Maria da Feira reagiu com orgulho, destacando o percurso do ex-atleta: “O nosso menino de ouro vestiu de rosa… um orgulho enorme ver um atleta com esta garra, talento e humildade a chegar tão longe.”

Afonso Eulálio entra agora na etapa de alta montanha com a liderança da prova, num dos maiores momentos da sua carreira.

Percurso que se foi consolidando em Santa Maria da Feira

O percurso de Afonso Eulálio no ciclismo começa em 2019, quando inicia a sua formação como júnior no Sport Ciclismo de São João de Ver, então integrado na estrutura Vito-Feirense-PNB. Logo na época de estreia demonstra grande potencial, somando três vitórias relevantes: Circuito de Argoncilhe, Memorial Ciclistas de São João de Ver e Memorial Bruno Neves, deixando já sinais claros da sua capacidade competitiva.

Em 2020, com apenas 18 anos, dá o salto para o escalão profissional ao serviço do Feirense. Num ano marcado pela pandemia, estreia-se em contexto internacional no exigente Circuito de Getxo, em Espanha, num pelotão recheado de estrelas mundiais. Ainda nessa época conquista o título de Campeão Regional de Rampa da Associação de Ciclismo da Beira Litoral, afirmando-se como um jovem talento em crescimento.

Em 2021 cumpre a sua segunda temporada como profissional e começa a destacar-se sobretudo em etapas de montanha, onde revela as suas principais características como trepador. O ponto alto do ano é a vitória na classificação da Juventude do GP O Jogo, reforçando a sua evolução no pelotão nacional.

No ano de 2022 transfere-se para a Glassdrive/Q8/Anicolor, onde alcança um dos primeiros grandes títulos da carreira: Campeão Nacional de Fundo Sub-23, confirmando o seu potencial no panorama nacional.

Em 2023 regressa à equipa que o lançou no profissionalismo, a ABTF Betão Feirense, e protagoniza uma época de grande nível, marcada por exibições ofensivas e ataques em etapas icónicas como Montejunto (Troféu Joaquim Agostinho), Serra do Larouco (Volta a Portugal) e a Clásica de Ordizia em Espanha. Em paralelo, representa também a Seleção Nacional, com destaque em provas como a Orlen Nations Grand Prix e a Corrida da Paz.

O ano de 2024 marca a sua afirmação definitiva. Ao serviço da ABTF Betão Feirense, vence etapas e classificações no Troféu Joaquim Agostinho e no GP Jornal de Notícias, soma dias de liderança na Volta a Portugal (onde enverga a camisola amarela durante seis dias) e assina exibições de grande nível em território nacional e internacional, incluindo a Vuelta a Asturias e o Circuito de Getxo. No GP JN vence uma etapa e termina em 3.º da geral, e no Troféu Joaquim Agostinho conquista vitórias na geral de pontos, juventude e combinado, além de um 2.º lugar final. Termina a época com presença no Campeonato do Mundo, que não conclui devido a uma avaria e uma queda.

Nesse mesmo ano de 2024, soma ainda 8.551 quilómetros em apenas 55 dias de competição, consolidando-se como um ciclista ofensivo, resistente e altamente competitivo em provas por etapas, especialmente em terreno montanhoso, afirmando-se como um dos nomes mais promissores do ciclismo português contemporâneo.

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