Rui Sousa: “Nunca pensei que a marioneta me conseguisse dar vida tantos anos”

Rui Sousa celebra 25 anos de vida dedicada às marionetas e este sábado apresenta um livro que retrata uma carreira marcada por centenas de espetáculos, prémios e digressões internacionais. Apesar do percurso consolidado, o artista continua a sonhar: quer criar novos projetos, especialmente com a comunidade, e ambiciona ter uma sala de espetáculos de marionetas em Santa Maria da Feira e um livro que revele a magia por trás das marionetas que constrói há mais de um quarto de século.
Rui Sousa começou como ilustrador e professor de Educação Visual, mas rapidamente se apaixonou pelo mundo das marionetas. O ‘clique’ deu-se no ano de 2000. “Quando comecei nunca imaginei que pudesse durar tanto tempo ou que a marioneta me conseguisse dar vida tantos anos. Tinha várias valências, mas a marioneta acabou por se tornar o meu verdadeiro caminho”, recorda aos microfones da Rádio Sintonia.
Ao longo de 25 anos, Rui Sousa apresentou centenas de espetáculos, realizou workshops, participou em digressões internacionais e conquistou diversos prémios. O percurso, já longo, está ainda a meio do caminho, garante o marionetista, que revela outras ambições no horizonte: a criação de uma sala dedicada ao teatro de marionetas em Santa Maria da Feira, com programação regular e espaço para ensaios, e um espaço expositivo para mostrar algumas das marionetas que marcaram a sua carreira. “Tenho dois ou três sonhos. Gostava de ter uma sala dedicada ao teatro de marionetas e também um espaço de exposição, onde as pessoas pudessem ver marionetas, exposições de marionetas, que pudesse funcionar em simultâneo com a sala de espetáculos”, revela.
Outro projeto que entusiasma o artista é a criação de um livro totalmente desenhado por si, mostrando fotografias, esquemas e truques das suas marionetas mais complexas. “Muitas das marionetas que construo têm muitos truques, muitas manhas. E eu gostava de colocar em prática esse livro, um livro de fotografia e esquemas das minhas marionetas mais sonantes e incríveis”, explica.

A arte como experiência comunitária
Para Rui Sousa, não basta apresentar um espetáculo pronto: é essencial que as pessoas participem na criação artística. “Quando fazemos um espetáculo para o público, realmente chegamos às pessoas, mas elas apenas veem o resultado final. Acho que o que é mais interessante na arte das marionetas é as pessoas porem as mãos na massa. Posso dizer que tenho muitos projetos destes e espetáculos de interação que quero fazer. Também quero muito trabalhar algumas obras literárias. Na verdade, não falta o que fazer nos próximos 25 anos“, diz. O envolvimento comunitário é já uma marca do percurso artístico do marionetista, que promove workshops, formações e atividades educativas, sempre com o objetivo de aproximar o público da magia das marionetas e estimular a criatividade e a imaginação.

Celebrar os 25 anos com um livro
Para assinalar o marco de 25 anos, o Município de Santa Maria da Feira apoiou a criação do livro “Rui Sousa – A vida em metade, inteira nas marionetas”. A obra reúne memórias, fotografias e histórias de toda a carreira do artista e será apresentada este sábado numa cerimónia privada, considerada por Rui Sousa um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido local e internacionalmente. “Começou com umas conversas com membros do município, da cultura. Gostava de assinalar os 25 anos de carreira e então o município decidiu fazer esta coisa muito significativa que é um livro. Para mim é incrível que nunca pensei que ia ter um livro destes, é maravilhoso e estou muito grato ao município”, afirma.

Projetos internacionais e futuros
Mesmo depois de 25 anos, Rui Sousa mantém a energia e a ambição. Entre os projetos para 2026 estão já definidas algumas viagens a Espanha e uma outra à Alemanha, onde irá apresentar o Teatro D. Roberto. “Vai ser uma aventura apresentar o teatro português num ambiente em que as pessoas não vão entender as falas. Será um encontro de marionetas tradicionais e será muito engraçado”, adianta. Além disso, está também a ultimar ilustrações para um livro em coautoria com uma artista ucraniana sobre marionetas tradicionais europeias, assim como a produção de novos espetáculos, ainda sem data de estreia.
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