Bloco de Esquerda quer respostas e planos de emergência após anúncio de fecho da ECCO

O Bloco de Esquerda exige respostas urgentes ao Governo e planos de emergência social, após o anúncio do encerramento da ECCO em Santa Maria da Feira e o despedimento coletivo de mais de 600 trabalhadores.
Na sequência do anúncio do encerramento da unidade industrial da ECCO em Santa Maria da Feira — comunicado esta segunda-feira aos trabalhadores pela administração da Ecco’Let —, o Bloco de Esquerda veio manifestar profunda preocupação face ao impacto socioeconómico da decisão e exigir respostas concretas por parte do Governo e das autarquias.
A multinacional dinamarquesa avançou com um processo de despedimento coletivo numa estrutura que empregava mais de 600 pessoas no concelho e que, nos últimos anos, já tinha atravessado fases de contração (com o corte de 42 postos de trabalho em março de 2023 e de 54 em março de 2024). Embora a empresa tenha transmitido aos funcionários em reunião que será pago um salário por cada ano de trabalho e que alguns colaboradores assegurarão uma fase de transição, o partido sublinha o contraste entre a medida e a dimensão internacional de um grupo que acumulou lucros consideráveis.
Para o Bloco, a situação cria um cenário de forte precariedade na região, pelo que o partido vai questionar o executivo para apurar se o Governo tem conhecimento da situação e se entidades como a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e DGERT estão a acompanhar o processo. O BE quer também que seja apurado que apoios públicos, nacionais ou comunitários, foram atribuídos à empresa ao longo dos anos e se o atual despedimento coletivo cumpre os compromissos assumidos nessas alturas.
O BE apela também à Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e às autarquias da região com residentes na fábrica que preparem planos de emergência social para apoiar as famílias afetadas. O partido sustenta ainda, em comunicado, que os organismos do Estado devem mobilizar esforços para encontrar postos de trabalho dignos para os profissionais afetados, apelando a que a empresa cumpra rigorosamente a legalidade, garanta os direitos laborais e providencie apoio jurídico a quem dele necessitar.
Inaugurada em 1984, a fábrica de Santa Maria da Feira marcou a expansão internacional da ECCO, sendo a primeira unidade industrial do grupo fora da Dinamarca a especializar-se no fabrico de calçado formal, casual e de golfe. Ao longo de mais de quatro décadas, esta unidade portuguesa desempenhou um papel determinante no crescimento e no sucesso global da marca dinamarquesa, que agora se prepara para fechar portas.








