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Sexta-feira, Agosto 14, 2026
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Miolo estreia em Santa Maria da Feira para cruzar literatura, ciência, pensamento e artes

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A Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira recebe, de 25 a 27 de setembro, a primeira edição do Miolo – Festival da Literatura e do Pensamento. O novo festival reúne escritores, investigadores, cientistas e artistas, nacionais e internacionais, para refletir sobre a criação, o conhecimento e os desafios de um mundo em transformação.

Santa Maria da Feira recupera, assim, a Biblioteca Municipal como espaço de encontro e circulação de pensamento contemporâneo, depois de ali terem passado nomes como José Saramago, Salman Rushdie, Roberto Saviano, Eduardo Lourenço, António Di Pietro, Vasco Graça Moura, Bernard-Henri Lévy e Fernando Savater.

Promovido pelo Município, o Miolo parte da literatura e do livro, mas procura ir além da apresentação de obras e autores, cruzando diferentes áreas do conhecimento. “Interessa-nos aquilo que a literatura permite abrir: ideias, perguntas, inquietações e diferentes formas de interpretar o mundo”, explica Paulo Marcelo, vereador da Cultura. O nome do festival, acrescenta, “remete para esse lugar interior e essencial, para aquilo que sustenta e dá sentido”.

A primeira edição conta já com presenças internacionais como a urbanista e promotora cultural norueguesa Anne Beate Hovind, a escritora espanhola Clara Usón e o designer e ilustrador espanhol Isidro Ferrer. Entre os nomes nacionais estão o advogado e antigo governante Adolfo Mesquita Nunes e os escritores Gonçalo M. Tavares e Joana Bértholo. Outros convidados serão anunciados em breve.

Ao longo de três dias, o festival propõe conferências, conversas, exposições, apresentações de livros e espetáculos, em diferentes espaços da Biblioteca Municipal. A programação é de acesso gratuito, mediante reserva prévia, a partir de 2 de setembro.

Três dias, três movimentos

Sob o mote “Do interior do livro ao interior do pensamento”, o Miolo organiza-se em três movimentos.

O primeiro, “Dar forma”, acontece a 25 de setembro e centra-se no design e nos processos criativos, explorando a origem e construção das ideias.

No dia 26, “Pensar” promove o diálogo entre filosofia, ciência, história e política, lançando o debate sobre alguns dos temas que marcam a atualidade.

O último dia, 27 de setembro, é dedicado a “Narrar”, assumindo a literatura como uma das formas privilegiadas de interpretar e compreender o mundo.

“A literatura mantém-se como base e como ponto de partida, mas o festival procura estabelecer relações com outras áreas do conhecimento. Queremos que cada encontro possa acrescentar uma ideia, provocar uma pergunta ou oferecer uma nova forma de olhar para aquilo que acontece à nossa volta”, sublinha Paulo Marcelo.

Isidro Ferrer assina identidade visual

A identidade visual e o cartaz da primeira edição do Miolo são da autoria de Isidro Ferrer, um dos nomes de referência do design gráfico contemporâneo espanhol. O artista estará também presente no festival, como orador numa conferência dedicada ao design e autor de uma exposição que percorre diferentes dimensões do seu trabalho.

A imagem gráfica do Miolo nasce de um objeto escultórico criado pelo próprio artista: um relógio de pedra que não mede as horas, mas as retém. Um objeto que não avança nem recua, não badala, mas permanece — uma representação do tempo que serve de ponto de partida para a identidade visual de um festival pensado para parar, observar e refletir sobre o mundo.

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