Pandemia veio evidenciar “escassez de um cuidado adequado à população idosa”

Pandemia veio evidenciar “escassez de um cuidado adequado à população idosa”

Horácio Sá, responsável pelo Fórum Sénior de Santa Maria da Feira, moderou o debate ‘A Saúde Mental na População Idosa’, que contou com a participação via telefone do orador Oscar Ribeiro, Psicólogo com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e especialidade avançada em Psicogerontologia

No debate ‘A Saúde Mental na População Idosa” ficou patente a ideia de que a pandemia da Covid-19 “veio tornar mais público aquilo que muitos profissionais no terreno, na área da saúde e social” já diziam, refere o psicólogo Óscar Ribeiro. O orador fala, concretamente, da “escassez de um cuidado adequado à população mais idosa”. Oscar Ribeiro defende que os cuidados à população idosa devem ir “além do físico” e que se devem centrar, também, nas “necessidades emocionais e afetivas” da população. Ainda assim, Oscar Ribeiro destaca o “trabalho extraordinário” das IPSS nestes tempos de exceção.

Sobre a saúde mental, Oscar Ribeiro salienta a importância do “afeto” na “manutenção do bem-estar” da população, e dos seniores em particular, e refere que a pandemia da Covid-19 trouxe, sem sombra de dúvida, várias consequências. “O bem-estar geral passa pela relação que estabelecemos com o outro, no contexto familiar, social, o quão acarinhados nós somos e a pandemia naturalmente veio trazer todo um conjunto de impactos múltiplos”, reflete o psicólogo.

Horácio Sá, responsável pelo Fórum Sénior de Santa Maria da Feira, também esteve presente no debate, na qualidade de moderador, e destacou a importância de “construir cidades” e estruturas de apoio à medida dos idosos. Por isso, Horácio Sá defende que “as pessoas devem ser ouvidas e escutadas”, no sentido de perceber que “tipo de IPSS gostariam que fossem construídas”. Na mesma linha de raciocínio, Oscar Ribeiro aponta que a situação da pandemia deve “obrigar-nos a repensar e revisitar os modelos de equipamento de apoio que temos”. “O grande desafio, no futuro, será repensarmos as respostas onde as pessoas querem efetivamente envelhecer, que é em casa, claro, é unânime”, aponta. Por isso, o psicólogo defende, convictamente, a necessidade de “dar voz aos mais velhos para orientar as respostas que são para si”, frisando que “urge convocar” o “capital humano da população mais velha” para essa discussão.

O debate contou, também, com o testemunho da presidente da Universidade Sénior de Santa Maria da Feira, Maria Augusta. A responsável deu a conhecer os impactos da pandemia nos alunos, mas também de que formas é que a Universidade Sénior tem procurado mitigar esses mesmos impactos, muito por via das tecnologias.

Oscar Ribeiro deixou, no final do debate, alguns conselhos à população sénior. Prática de exercício físico, uma alimentação equilibrada, passeios higiénicos e a manutenção de contactos com família e amigos são elementos chave para um envelhecimento ativo e uma boa saúde mental, bem como “não fazer da pandemia o tema central e recorrente das conversas”. Como lembra o psicólogo, “há mais vida para além da pandemia”.

O debate ‘A Saúde Mental na População Idosa’ faz parte do projeto ‘Falar (sobre)Tudo na Rádio’, uma iniciativa organizada pelo Fórum Social da União de Freguesias de Santa Maria da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo em parceria com o Departamento de Saúde Mental do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga. O projeto conta com o apoio do Município de Santa Maria da Feira e da rádio Sintonia Feirense e traz uma vez por mês para a discussão temas relacionados com a saúde mental, no sentido de esclarecer a comunidade.

Pode ouvir o debate na íntegra aqui