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Três séculos de tradição e 25 anos de Museu: A memória viva da indústria do papel em Santa Maria da Feira

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Pioneiro em Portugal e uma referência incontornável na museologia industrial do país, o Museu do Papel Terras de Santa Maria, em Paços de Brandão, assinala 25 anos de existência. Inaugurado a 26 de outubro de 2001 e integrado na Rede Portuguesa de Museus e na Rede Portuguesa de Turismo Industrial, o espaço preserva e dinamiza uma tradição com raízes profundas na região desde 1708. Para comemorar este quarto de século, o museu promove uma Semana Aberta de 17 a 31 de outubro, com uma programação gratuita que junta história, arte contemporânea, música e comunidade.

Em entrevista na Rádio Sintonia, Ana José Oliveira, chefe da Divisão de Museus, Património Cultural e Turismo da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, e Maria José Santos, ex-diretora e atual conselheira científica do museu, recordaram a evolução do projeto e perspetivaram o futuro da instituição.

O nascimento de um “Museu Vivo” e a preservação da memória

O nascimento do Museu do Papel resultou do encontro entre o desejo da comunidade e a determinação política. “Nasce porque havia uma vontade da comunidade brandoense […] a essa vontade aliou-se a vontade política, na altura do executivo do comendador Alfredo Henriques, e juntou-se a credibilização da história de um projeto que tinha 300 anos de memória“, recorda Maria José Santos.

Mais do que um mero repositório de máquinas antigas, o museu afirmou-se como um espaço vivo onde os processos de fabrico manual e industrial continuam a acontecer. “O papel tem sentimento, tem textura. Até tem música às vezes quando está muito seco […] ouve-se a música que ele nos proporciona“, destaca a conselheira científica.

Entre as grandes raridades do acervo encontra-se a coleção de papéis com marcas d’água dos séculos XVI ao XX. Maria José Santos explica que estas marcas eram a assinatura dos fabricantes: “O fabricante quer marcar o papel que ele próprio fabrica […] essa personalização do papel cedo fez parte da caracterização da produção papelar no concelho de Santa Maria da Feira“, diz.

Foto: Frederico Martins

Destaques da programação dos 25 anos

A celebração das bodas de prata traduz-se numa extensa agenda de atividades abertas a todo o público:

  • 17 de Outubro: Exibição do documentário Uma Vida a Reciclar Papel (às 15h), do realizador Eric Parijs, gravado em 2000 na antiga Fábrica de Papel dos Irmãos Terra, em S. Miguel de Souto. A sessão conta com acessibilidade em Língua Gestual Portuguesa e legendas em mais de 30 idiomas.

  • 25 de Outubro: Inauguração da exposição de gravuras “The Moment/Fragment Paths” (16h), da artista japonesa Mami Higuchi, seguida do concerto “Oneness” (já esgotado) com Yuko Rodrigues e artistas convidados (17h), cruzando a tradição papelar portuguesa com a cultura oriental.

  • 26 de Outubro (Dia de Aniversário): A mascote Forminhas percorrerá as escolas de Paços de Brandão para construir com os alunos a “folha dos 25 anos” e selar uma cápsula do tempo. Esta cápsula guardará mensagens e desenhos dos alunos e só será reaberta em 2051, aquando das bodas de ouro do museu.

  • 31 de Outubro (Encerramento): Mesa-redonda dedicada ao tema “A Indústria do Papel em Paços de Brandão e Terras de Santa Maria”(17h), promovendo a reflexão entre a memória histórica e o futuro do papel no mundo contemporâneo.

Projetos de requalificação e visão para 2051

Com galardões de prestígio no currículo, como o Prémio APOM de Melhor Museu Português em 2011, o Museu do Papel prepara-se agora para novos desafios de modernização.

Ana José Oliveira revelou que está em curso um plano de valorização do espaço. “Temos uma equipa de trabalho a pensar nesta requalificação, nomeadamente com a requalificação da Casa do Proprietário e da própria fábrica Custódio Pais, onde está sediada a exposição permanente“, afirma. A responsável sublinha ainda a importância de integrar o museu na envolvente natural do Rio Maior, antiga zona industrial papelar da freguesia.

Interrogada sobre como imagina o museu quando a Cápsula do Tempo for aberta em 2051, Maria José Santos expressa o desejo de continuidade: “Espero que as pessoas sintam o quanto a arte de fazer papel fez parte de tantas sucessivas gerações […] e o quanto a cultura material e imaterial do papel acaba por nos tocar de um modo tão diferenciado“.

Todas as atividades da Semana Aberta são gratuitas, mas sujeitas a inscrição prévia junto do museu (por telefone ou e-mail) devido à lotação limitada. As celebrações dos 25 anos do Museu do Papel vão prolongar-se ao longo de todo o ano com diversas iniciativas abertas à comunidade.

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