Fora dos Eixos regressa “mais maduro” e com espetáculos para todas as gerações

Com uma fasquia artística cada vez mais elevada, a nona edição do Festival Internacional de Marionetas Fora dos Eixos promete surpreender o público no Centro Cultural de Milheirós de Poiares, de 24 a 27 de setembro. O diretor artístico, Rui Sousa, destaca a presença de espetáculos “com um porte diferente”, entre os quais Dura Dita Dura — apelidado pelo responsável como a proposta “mais complexa e completa” a passar pelo evento —, além de propostas inéditas que cruzam fado com marionetas, teatro de sombras turco e uma exposição internacional com acervo mundial.
Mais maduro, consolidado e de braços abertos para a comunidade, o festival promove um cartaz diversificado que cruza diferentes linguagens artísticas, exposições mundiais, workshops e espaços de debate. Para o diretor artístico, Rui Sousa, a aposta numa oferta 100% gratuita é o empurrão final para atrair novos públicos ao auditório. “Subimos um bocadinho a fasquia das companhias este ano e vamos ter realmente espetáculos com um porte diferente. Aquele entrave que poderia haver de um custo, embora fosse sempre uma coisa simbólica, talvez possa realmente trazer outros públicos“, afirmou em entrevista à Sintonia.
O casamento inédito entre o Fado e a Odisseia

Entre os grandes destaques do cartaz está o premiado espetáculo “O Fado de Ulisses“, criação do encenador Claudio Hochman. A proposta cruza a tradição do fado com a arte das marioentas através da voz e interpretação da fadista Carlota Blanc. “É um espetáculo que tem ganho os prémios todos por onde tem passado. A Carlota Blanc é uma fadista que aceitou o desafio de manipular marionetas enquanto canta fados. Cada fado é um episódio da história da Odisseia. É uma aventura incrível e uma coisa para ver sem falta”, sublinha.
Outro dos momentos altos da nona edição é a estreia de uma companhia da Turquia, que trará pela primeira vez ao festival a arte tradicional do teatro de sombras Karagöz. O formato, em sessões curtas e intimistas para um espetador de cada vez, é complementado por um workshop internacional de construção de sombras turcas. “O Karagöz é uma forma muito antiga de teatro de sombras, vem da Turquia… E neste caso, as pessoas vão ter a oportunidade de ver Karagöz em formato único: cada pessoa vai ver um pequeno espetáculo. É muito intimista. Vamos fazer em ponto pequeno que é para a pessoa imergir mesmo no universo do Karagöz… Cada espectador vai poder ver uma história de dois, três minutos“, revela Rui Sousa.
Dura Dita Dura: “O espetáculo mais complexo que já tivemos no Fora dos Eixos”

O espetáculo “Dura Dita Dura” afirma-se como uma das propostas mais marcantes do festival, abordando a memória do Estado Novo a partir do quotidiano de uma família oprimida durante o salazarismo. Considerado por Rui Sousa como “o espetáculo mais complexo e mais completo” que já esteve no Fora dos Eixos até hoje, a encenação afasta-se do formato tradicional para oferecer uma linguagem arrojada e marcante. O diretor artístico faz um convite direto ao público para a noite de sábado, garantindo que o público vai ser surpreendido: “aquilo é contado de uma maneira tão moderna, tão contemporânea, que vale mesmo a pena ir ver (…). Mesmo para quem está à espera de um teatro de marionetas convencional (…) não imaginem isso, vão ver mesmo porque vale muita pena“, assegura.
O cartaz conta ainda com a comédia tradicional “Rosa e os Três Namorados” e a peça “Limonardo da Vento“, do artista búlgaro Plamen Dipchikov.
Exposição internacional e espaço de conversa
Além da programação de palco, o público poderá visitar uma exposição de acervo internacional intitulada “Marionetas do Mundo” vinda de Santiago de Compostela, reunindo mais de uma centena de marionetas tradicionais trazidas de cantos do mundo tão distintos como a China, Tailândia, Europa e Américas.
A vertente de reflexão estará a cargo do painel “A Arte do Invisível“, marcado para a noite de sexta-feira. O encontro junta figuras como Jorge Rosado (Palhaços d’Opital/TEDxPorto), Norberto Amaral (TEDxPorto) e Filipa Mesquita (Teatro de Marionetas de Mandrágora), com moderação da jornalista Ana Delgado Martins.
Há também programação direcionada para o público escolar e sénior, e ainda uma ação de mediação artística. Rui Sousa, através do espetáculo “O Universo da Marioneta”, convida professores, educadores, artistas e estudantes a descobrir a arte da marioneta.
Para o público mais jovem, há a proposta da S.A. Marionetas, com o espetáculo “ETC…“, uma produção sem palavras que recorre a marionetas de manipulação direta para contar pequenas histórias sobre afetos, relações humanas e humor. Já o público sénior poderá assistir ao espetáculo “Horizonte“, da Limite Zero, que conta a história de João, um menino de sete anos de Paradela que sonha conhecer o mar.
“Marionetas não são só para crianças: são dos 3 aos 103 anos”
Rui Sousa faz questão de desmistificar a ideia preconcebida de que o teatro de marionetas é um género menor ou direcionado exclusivamente aos mais novos. “É sempre a minha batalha: as marionetas não são só para crianças. Na sua génese, aliás, nunca foram para crianças. Desenganem-se, porque este ano vamos ter marionetas para toda a gente, dos 3 aos 103 anos“, garante.
Embora todos os eventos tenham custo zero, a organização alerta para a necessidade de reserva antecipada de bilhetes devido à lotação da sala. Os ingressos devem ser levantados ou reservados através da plataforma BOL.









