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O Rio Cáster

Rio Cáster no centro de Santa Maria da Feira (2021)
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O Rio Cáster tem cerca de 20 quilómetros de extensão, desde as nascentes nas encostas de Sanfins até à foz na Ria de Aveiro, em Ovar.

*Texto e Fotos de Luís Filipe Higino

As origens do nome “Cáster” não são conhecidas. Escreveu Vaz Ferreira no final da década de 1940: Devo confessar que não sei de onde vem este nome de sabor latino e que em nenhum documento antigo se encontra”. Acrescenta que, no entanto, até 1946, havia uma placa de ferro na ponte sobre o rio, na Rua Dr. Roberto Alves bem no centro da Vila da Feira, com o nome de “Rio Caster”. Diz ainda Vaz Ferreira que não tinha acento, mas todos diziam Cáster, com ambas as vogais abertas, sendo tónica na primeira”. Vaz Ferreira acrescenta ainda que o rio tem grande profusão de nomes, tomando todos os dos lugares que atravessa: de Sanfins, de Pombos, da Lavandeira, do Balteiro, de Travanca, de Sobral, de Bouças, da Reada, da Senhora da Graça, e rio de Ovar”.

As Memórias Paroquiais do Padre Quintela de 1758 referiam que o rio tomava o nome dos lugares por onde passava, mencionando Souto Redondo, Sanfins, Feira, Travanca e Ovar, acrescentando que “nem há memória que tivesse outros nomes em tempo algum”. O Dicionário Geográfico de Pinho Leal, editado em 1874, referindo-se ao rio, escreveu que pelo meio da vila passava o Rio Lavandeira. Na sequência das duas descrições anteriores, Aguiar Cardoso escreveu em 1921 no jornal “Vila da Feira” o seguinte: “Mas também alguém, não sei mesmo quem, lhe chamou Rio Caster, denominação de sabor um tanto romano. Seria porventura encontrada esta denominação em algum antigo documento? Ou antes não passa de mera fantasia? Eu ignoro-o absolutamente, e por isso me limito a registá-la apenas”.

Passando à parte geográfica, o Rio Cáster tem três nascentes principais, ou fontes, todas em Sanfins: Carvalhosa, Vergado e Santo Aleixo.

Nascente da Carvalhosa, ou Campinha. Esta nascente desce pela Ribeirinha e acolhe o caudal da fonte da Sernada, atravessa a quinta da Sernada, segue pelas Regadas e junta-se ao caudal da nascente do Vergado. Corre campos abaixo e atravessa sob a linha férrea do Vouga dirigindo-se para os Moinhos e atravessa sob a estrada municipal na Ferrã, já na fronteira das freguesias de Sanfins e da Feira, juntando-se um pouco mais abaixo ao caudal da nascente de Santo Aleixo já em Picalhos.

Rio Caster – Caudal Santo Aleixo, Sanfins (2021)

Nascente do Vergado, brota do fundo da Fontanheira. Tem origem numa mina bem visível e passa poucas dezenas de metros mais abaixo no lavadouro e fonte do Vergado junto ao Complexo Desportivo do Feirense, a antiga quinta de Golfar. Esta nascente atravessa depois sob a Estrada Nacional 223, recebe o caudal da nascente de Talhô, e depois sob a antiga estrada municipal que liga a Feira a São João da Madeira, juntando-se à nascente da Carvalhosa a montante da Ferrã, como já foi referido.

Nascente de Santo Aleixo, localizada no lugar das Lages de Sanfins, perto do Parque de Jogos Augusto José Moreira, a 280 metros de altitude. Esta nascente desce pelo vale e recebe o caudal da nascente da Fonte de Vida onde existe uma captação de águas, desativada, passa à Lomba, Ribeiras, atravessa sob a linha férrea do Vouga, entra no lugar da Charca e no lugar de Picalhos, já em território da Feira, confluindo com as duas anteriores nascentes num único rio, o Rio Cáster.

Rio Caster – Perto da Foz, Ovar (2021)

Já em Santa Maria da Feira o rio passa então por Picalhos, Azenha, Lavandeira e pelo centro da cidade. Ao sair da mesma passa pelos lugares de Balteiro, Vila Boa e depois em Travanca, pelos lugares de Outeiro do Rio, da Igreja, de Fundo da Aldeia de Arcapedrinha, entra no concelho de Ovar por Arada, e depois Sobral, Ponte Reada e Ponte Nova. Depois de passar pelo centro de Ovar o rio recebe ainda as águas da ribeira da Senhora da Graça e encaminha-se para a Ria de Aveiro, onde desagua dois quilómetros a sul do Cais da Ribeira, um braço da Ria, passando o rio pelo Esteiro da Vagem e desaguando na Ria de Aveiro no Esteiro de Puchadouro. O local exato da foz do rio Cáster é de difícil acesso devido ao terreno alagadiço e da vegetação muito própria do local.

O Rio Cáster tem cerca de 20 quilómetros de extensão, desde as nascentes nas encostas de Sanfins até à foz na Ria de Aveiro, em Ovar.

Fontes Consultadas:

Feira, a Vila e as suas Entradas”, manuscritos da autoria de Vaz Ferreira editados em livro em 1989 pela Câmara Municipal da Feira;

Portugal Antigo e Moderno” dicionário da autoria de Pinho Leal editado em 1874;

Memórias Paroquiais de Santa Maria da Feira – 1758” do Padre Quintela, editado em livro em 2006 por Roberto Carlos Reis e Liga dos Amigos da Feira;

Artigo de Aguiar Cardoso no jornal “Vila da Feira” de 23 de Junho de 1921;

Artigo de Lopes Pereira no jornal “Correio da Feira” de 15 de Dezembro de 1945;

Artigo de A.F. no jornal “Correio da Feira” de 7 de Maio de 1993;

Rio Cáster”, artigo de Alberto Oliveira Tavares na revista “Villa da Feira” nº 39 da Liga dos Amigos da Feira de Fevereiro de 2015.

 

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