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Segunda-feira, Janeiro 12, 2026
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Treze crianças assumem a defesa da Fogaça no Castelo de Santa Maria da Feira

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Treze crianças assumiram, neste fim de semana, um compromisso raro para a idade: preservar e divulgar a Fogaça da Feira. A Investidura dos Escudeiros da Confraria da Fogaça da Feira decorreu no Salão Nobre do Castelo de Santa Maria da Feira, integrada no programa da Festa das Fogaceiras.

Foram investidas 13 crianças, entre os 8 e 9 anos, alunos do 1.º ciclo da Escola Básica de Fornos ou filhos de confrades, no âmbito de um projeto educativo desenvolvido há dez anos pela escola, em parceria com a Confraria da Fogaça da Feira e com o Grande Sábio. A iniciativa promove o contacto com as tradições desde a infância e pode ser alargada a outros estabelecimentos de ensino do concelho.

Num ambiente solene, cada criança foi chamada individualmente e investida como escudeiro, com o toque simbólico da espada empunhada por um confrade: “Eu te invisto escudeiro da Confraria da Fogaça da Feira.” Um gesto vivido com seriedade pelos mais novos, que assumem o compromisso de defender a verdadeira Fogaça da Feira.

Segundo um dos confrades que conduziu a cerimónia, esta iniciativa representa “a semente daquilo que será, no futuro, a Confraria”, sublinhando a importância de envolver as novas gerações na preservação da tradição.

Os fatos de escudeiro, em cortiça e inspirados no traje dos confrades, resultam de uma parceria com a Corticeira Amorim e permitem que os meninos integrem a Procissão das Fogaceiras, uma vez que o cortejo cívico é tradicionalmente reservado às meninas fogaceiras, integralmente vestidas de branco, com faixas coloridas à cintura e com a fogaça à cabeça.

A Mestre da Confraria da Fogaça da Feira, Elisabete Pinho, destacou a importância do contacto com a tradição desde a infância, criando ligação ao território e sentido de pertença. Após a investidura, coube-lhe ainda conduzir a prova da Fogaça da Feira, que foi dada a provar a cada um dos novos escudeiros.

Presente na cerimónia, a vereadora da Educação e Juventude da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Beatriz Silva, salientou o valor do projeto enquanto continuidade de um legado identitário: “Estas crianças têm um papel muito importante na defesa e propagação da Fogaça da Feira. É fundamental para a nossa identidade e afirmação saber que os nossos alunos reconhecem e valorizam as nossas tradições.”

Responsável pela dinamização do projeto na escola de Fornos, a professora Sónia Carvalho sublinhou tratar-se de uma iniciativa “tão trabalhosa como gratificante”, envolvendo professores, funcionários e encarregados de educação, e que pode ser partilhada com outras escolas do concelho. “Quanto mais sementinhas lançarmos, melhor”, afirmou, destacando a importância de despertar, desde cedo, o interesse das crianças pelas tradições locais.

Entre os novos escudeiros, Inês Andrade, de 9 anos, aluna do 4.º ano, confessou ter ficado surpreendida com o ritual: “Eu não sabia que a investidura era feita com uma espada e fiquei muito admirada, mas alegre também.” Já conhecedora da história associada à fogaça, recordou que se trata do “pão doce oferecido que curou muita gente da peste negra.” Mateus Andrade, também de 9 anos e filho de um casal de confrades de Santa Maria da Feira, assumiu a responsabilidade do novo papel: “A partir de hoje vou ter uma responsabilidade maior. Já divulgava a fogaça, mas agora ainda vou fazê-lo mais, junto dos meus amigos.

A cerimónia contou ainda com a interpretação do Fado das Fogaceiras, na voz de Mafalda Campos, acompanhada por João Carlos, encerrando um momento onde educação e tradição se unem para garantir que a Fogaça da Feira continua viva nas gerações futuras.

A Festa das Fogaceiras acontece a 20 de janeiro, mas durante todo este mês é dedicado a esta tradição secular de Santa Maria da Feira com um programa com atividades educativas, culturais e gastronómicas.

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