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Domingo, Março 30, 2025
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Rui Paixão regressa ao Imaginarius, festival que foi o “útero” da sua carreira artística

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Rui Paixão está de volta ao Imaginarius, mas desta vez na pele de criador e encenador de uma performance protagonizada pela bailarina Rina Marques. “Final Girl” é o nome da criação que marca o regresso do ator e performer ao Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira que, para si, serviu de “útero” no início da carreira artística. Aos microfones da Sintonia, Rui Paixão aborda os primeiros passos no Imaginarius, o salto “gigante” para o Cirque du Soleil e como o futuro passa pela cidade natal. “Quero viver em Santa Maria da Feira e criar raízes na cidade, é aqui que me sinto bem, perto da minha família e das minhas pessoas, a ajudar com a minha arte esta comunidade”, diz. 

Rui Paixão foi um dos convidados especiais da emissão especial do Poesia Sem Fronteiras, que no passado dia 21 de março, celebrou o Dia Mundial da Poesia. Aos microfones da Sintonia, o ator e performer abordou também a criação mais recente em que está a trabalhar enquanto encenador, admitindo que a inversão de papéis é “complexa“. “Estou habituado mais a estar em palco, mas de facto nos últimos anos têm surgido vários convites para começar a estar no outro lado e dirigir espetáculos e este é mais um e muito especial“, afirma. “A Rina Marques, uma bailarina de Santa Maria da Feira, fez-me um convite para criar um solo para ela, um solo curto de 20 minutos para estrear no espaço público e em que eu tinha liberdade total para escolher o tema“, descreve. É daí que nasce a criação “Final Girl”, que se baseia no termo implementado pelo cineasta Hitchcock e que “descreve a última mulher, a mulher que fica viva nos filmes para contar a história de terror“, desvenda Rui Paixão. “Vai ser uma valente loucura, posso prometer isso“, assegura. “Estou muito feliz porque vamos estrear um sítio novo em Santa Maria da Feira, que nunca recebeu um espetáculo no Imaginarius. Isso também nos está a dar algum prazer, olhar para a cidade. Somos artistas locais e [é interessante] ajudar a repensar o que é este festival e de que forma é que pode continuar a usar a cidade para se valer”, reflete.

Imaginarius é mais do que berço, “é útero”

A 24ª edição do Imaginarius, que decorrerá em solo feirense entre 22 e 25 de maio, marca o regresso de Rui Paixão ao palco que o viu nascer. O Imaginarius é, por isso, sinónimo de berço? Rui Paixão vai mais longe e diz mesmo que “é útero“. “O Imaginarius fez-me, e as pessoas de Santa Maria da Feira também, mais do que qualquer outra coisa“, realça. O artista puxa a fita atrás para lembrar os tempos em que foi ajudante da companhia de teatro KTO, protagonista do espetáculo “The Blind”, inspirado no Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago. “Tive de fazer assistência, ajudava os atores a trocarem de roupa e a meter a cenografia no espaço“, conta o performer, além da oportunidade de partilhar o camarim com a companhia. Foi aí, quando tinha “oito ou nove anos“, que teve a certeza: “É isto que eu quero ser para o resto da minha vida“.

Foi em 2015 que lançou o desafio à organização do Imaginarius para protagonizar um espetáculo. “Eles acreditaram e aquilo mudou a minha vida. As pessoas da Feira viram o espetáculo, entusiasmaram-se e ajudaram-me. Foi o buzz que os feirenses fizeram sobre este puto que estava na rua a fazer uma coisa pela qual é muito apaixonado que de repente causou tudo isto. Tudo começou no Imaginarius de 2015, em que construo aquele palhaço, sem confiança nenhuma vou para a rua e Santa Maria da Feira dá-me essa confiança ao dizer: ‘tu és bom nisto‘”, recorda. Foi a figura ‘Cão à Chuva’, o palhaço de cara pintada de branco, cabeça rapada e tufos de cabelo verde, que surpreendeu o público do festival de 2015. “Aquele palhaço foi visto, partilhado no Youtube e foi aí que o Cirque du Soleil viu e decidiu convidar-me para uma audição“, afirma.

Depois de uma edição dedicada ao Sonho (2023) e outra à Liberdade (2024), o Imaginarius propõe-se a refletir, em 2025, sobre o legado do Progresso. A 24ª edição integra 170 artistas de 43 companhias, vindas de 17 países para tomar conta de 15 espaços programados. Com um investimento de meio milhão de euros, o festival traz até Santa Maria da Feira 11 estreias absolutas e 25 estreias nacionais. Em palco estarão também nove criações Imaginarius.

“Sempre disse que faz sentido a viagem se houver um regresso”

A ida para o Cirque du Soleil foi um “salto gigante” e uma “mudança radical” na vida de Rui Paixão. “Nunca tinha pensado ser palhaço, gostava de viver das artes e ser ator, mas palhaço… aquilo foi uma revolução na minha vida“, admite o performer, que vê o Cirque du Soleil como “a melhor universidade” que poderia ter e onde já realizou duas criações – uma em 2019 e outra em 2024. Viveu um ano na China, outro nos Estados Unidos, mas a “saudade de casa” sempre prevaleceu. Rui Paixão está agora de regresso à terra natal e não esconde que o futuro, inevitavelmente, passará por Santa Maria da Feira. “Estou por cá agora e está a ser ótimo, foi aquilo que sempre quis. Sempre disse que faz sentido a viagem se houver um regresso, nunca fui daqueles que pensou ‘quero emigrar’. Quero viver em Santa Maria da Feira e criar raízes na cidade, é aqui que eu me sinto bem, perto da minha família e das minhas pessoas, a ajudar com a minha arte esta comunidade. Aqui é que estou bem, aqui é que sinto que posso ter uma voz“, declara.

 

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